Arquivos Geoinform: janeiro, 2011

Os royalties da mineração e a balança comercial

Publicado por Geoinform em janeiro - 31 - 2011

Paulo Camillo Vargas Penna, no Valor Econômico

Na perspectiva da nova legislatura que se inicia no Congresso Nacional, reabrem-se as discussões de temas inconclusos. Um dos principais é o dos royalties minerais ou Contribuição Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), que pertencem à União e por esta são administrados.

Uma vez que Estados, distrito federal e municípios têm participação na distribuição da CFEM, a matéria gera polêmicas, como o recente episódio do pré-sal. Aspecto mais particular dessa questão é o que se refere às comparações dos royalties do petróleo com os da mineração. Com frequência, se busca utilizar a comparação como justificativa para o aumento destes últimos, sem levar em conta o somatório de tributos e outros encargos que colocam a mineração brasileira entre as três primeiras mais oneradas.

Ultimamente têm proliferado declarações de fontes diversas em defesa da equiparação dos royalties, sem que seus autores levem em conta argumentações importantes que esta questão, tão crucial ao país, exige.

A manchete do Valor de 17 de janeiro é oportuna para essa discussão e corrobora a importância dos royalties da mineração para a economia brasileira: “Governo vai atuar para proteger saldo comercial”. No texto, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, afirma que o governo “tomará iniciativas de defesa comercial sem esperar provocação do setor privado” com o objetivo de preservar ou ampliar o saldo positivo da balança comercial. O ministro avalia que o superávit poderá cair à metade, ou seja, US$ 10 bilhões.

Segundo números do próprio Ministério do Desenvolvimento, a indústria da mineração contribuiu em 2010 com 136% do saldo positivo da balança comercial de US$ 20 bilhões, ou seja, com US$ 27,6 bilhões, resultado da subtração de US$ 7,7 bilhões das importações de US$ 35,3 bilhões das exportações do setor mineral.

Equiparação das contribuições dos minerais com as do petróleo significa aumento de custos

As mineradoras gostariam de “provocar” o ministro para que atente à questão dos royalties e não se restrinja às medidas de “defesa comercial”. A simples equiparação com os royalties do petróleo como vem sendo proposto e discutido significaria um aumento brutal de custos para as empresas, com flagrante dano à competitividade e consequente queda expressiva justamente do que o ministro Pimentel pretende proteger.

Os comparativos entre royalties do petróleo e os de mineração são, por vários motivos, falaciosos. Há várias questões a se considerar. Uma delas é que o petróleo e os demais minérios têm mercados consumidores diferentes. O petróleo é um produto de demanda inelástica, em virtude de ser combustível estratégico, sem substituto pleno. Seu preço é extremamente sensível e oscila em função de qualquer distúrbio político internacional, sem afetar sua demanda inelástica.

No petróleo, prevalece a imposição de preços pelo cartel liderado pela OPEP, ao passo que no mercado de minérios há um expressivo poder de imposição do preço pelos compradores.

Tal fato, embora não seja o único, traz, no caso do Brasil, diferenças importantes quanto aos cálculos dos royalties. Não há como parametrizar o cálculo da CFEM com os critérios de pagamento dos royalties do petróleo. Aqui, os do petróleo são cobrados em função de um complexo sistema que envolve preços de venda, livres de ICMS, PIS e COFINS, preços mínimos estabelecidos pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), que levam em consideração frações dos diferentes tipos e preços no mercado internacional. Quanto à CFEM, não há processo de cálculo semelhante. Nele também há alíquotas diferenciadas, mas estas incidem sobre o faturamento líquido de cada minério.

Há de se examinar fatos de ordem técnico-econômico-operacional relacionados à localização dos empreendimentos e os tipos de investimentos demandados pela extração do petróleo e pela mineração. No primeiro caso e particularmente quanto ao Brasil, prevalece a utilização de plataformas e outros equipamentos marinhos, algo que deverá crescer com o pré-sal.

A extração de óleo ocorre a quilômetros da costa, afastada de núcleos populacionais, com uma característica importante: o equipamento utilizado pode ser deslocado, praticamente de forma integral, para ser empregado em um novo poço.

Já no caso da mineração, há necessidade de implantar e operar toda uma infraestrutura específica para cada mina, sempre localizada próxima a núcleos populacionais. Não só para a extração propriamente dita, mas também para aproveitar, racionalmente, os recursos hídricos. Isso significa evitar o assoreamento dos rios e, durante e após as operações de lavra, remanejar os lençóis freáticos e construir barragens, para criar alternativas de abastecimento d’água às comunidades das áreas de influência.

Outro ponto a ser destacado é que os bens de capital importados pelas mineradoras não contam com a redução e/ou suspensão de tributos sobre a importação que, no caso do petróleo, tem instrumentos tais como Repetro, Repex e Regas. Além disso, na cadeia produção e consumo do petróleo há uma substituição tributária, inexistente no caso da mineração.

Em paralelo às intenções do ministro do Desenvolvimento, o poder executivo analisa informações técnicas na expectativa de se manifestar sobre eventuais alterações nas alíquotas da CFEM.

A decisão é delicada para a futura situação da economia do Brasil. A indústria da mineração ainda reivindica espaço maior para apresentar suas contribuições por compreender que até o momento, as manifestações dos que defendem a elevação pura e simples da CFEM, ignoram o peso exercido por toda a carga tributária do setor mineral, ou seja, parecem enxergar que as mineradoras recolhem apenas aquela contribuição aos cofres públicos.

Paulo Camillo Vargas Penna é Diretor Presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM)

Fonte: http://outroladodanoticia.com.br

Projeto busca recuperar áreas degradadas pela mineração

Publicado por Geoinform em janeiro - 21 - 2011

Uma equipe de pesquisadores da Embrapa Cerrados – unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária- Embrapa – irá estudar o impacto da atividade mineradora de níquel na biodiversidade de solos do município goiano de Barro Alto, que apresentam naturalmente concentração elevada de metais pesados, e definir as atividades que serão recomendadas para recuperação das áreas impactadas pelamineração.

O convênio de Cooperação Técnica foi assinado no final do mês de dezembro com a Companhia Mineradora Anglo American Brasil Ltda. Para o desenvolvimento da pesquisa foi elaborado oprojeto “Diversidade vegetal, disponibilidade de metais e organismos no solo: ferramentas para a recuperação de áreassob mineração de níquel nos complexos ultramáficos de Barro Alto-GO”.

A área de mineração em Barro Alto já foi foco de estudo da Embrapa Cerrados no projeto “Relações entre metais do solo e a biodiversidade no Cerrado: ferramentas para a conservação ambiental e a recuperação de áreas degradadas”. Nesteprojeto, que se encerra em março, foram feitos estudos sobre as relações entre os processos físico-químicos dos metais pesados nos solos, dos mecanismos fisiológicos de tolerância a metais em espécies nativas e prospecção de genes relacionados à essa tolerância, caracterização da diversidade vegetal e avaliação de danos potenciais da mineração de níquel sobre organismos do solo e da água.

A partir dos resultados do projeto em fase de finalização, os pesquisadores e a empresa mineradora resolveram desenvolver uma pesquisa mais direcionada a recuperação das áreasdegradadas pela atividade mineradora. No projeto anterior, a pesquisa era feita em áreas naturais que ainda seriam mineradas.

No projeto atual, serão estudadas as áreas em que o minério já foi extraído para poder avaliar o impacto da mineração e definir estratégias/tecnologias de recuperação dessas áreas. No decorrer do projeto serão realizadas análises químicas e microbiologica do solo, controle de vegetação nas áreasmineradas e coletas de sementes de espécies nativas para tentar a reprodução em viveiro ou em meios de cultura .

Uma característica interessante da região de Barro Alto é o desenvolvimento de uma vegetação adaptada a presença natural nos solos de metais pesados que são potencialmente tóxicos para a maioria das plantas. Por isso, o maior desafio doprojeto, de acordo com a pesquisadora Leide Rovênia, é promover a recuperação das áreas degradadas pela mineraçãocom as espécies nativas locais.

“Existem poucas informações sobre a ecologia dessas espécies nativas tolerantes aos metais pesados desses solos. Como não é possível fazer a revegetação dessas áreas com espécies comumente utilizadas em outros ambientes com solos com características químicas e físicas distintas daquelas encontradas em solos ultramáficos , temos o desafio de multiplicar essas espécies que são adaptáveis às condições desses solos, que apresentam altas concentrações de metais pesados e fortes desequilíbrios nutricionais”, explica a líder do projeto. Também participam do projeto os pesquisadores da Embrapa Cerrados Cícero Pereira, Fabiana Aquino, Fábio Bueno e Ieda Mendes e o analista Zenilton Miranda, da Embrapa Informação Tecnológica.

Fonte: http://www.embrapa.br

SÃO PAULO – O ano de 2010 será lembrado pela Vale (VALE3, VALE5) como um período bastante positivo em sua história. O lucro da mineradora saltou de R$2,9 bilhões no primeiro trimestre para R$ 6,6 bilhões no segundo, só paraavançar novamente para R$ 10,6 bilhões entre julho e setembro – um recorde paraa empresa, e mais da metade dos ganhos acumulados no ano.

Grande parte dessa evolução deve-se ao novo sistema de precificação dominério de ferro – principal produto da Vale. Com os preços agora estabelecidosnão mais em contratos anuais, mas trimestrais, a mineradora consegue seaproveitar melhor das variações da demanda do mercado spot, que tem a China comogrande comprador.  Mesmo trazendo volatilidade, a notícia foi bastante positiva para o setor.Pouco antes dos novos acordos, o preço estabelecido no benchmark girava em torno de US$ 60 a tonelada do minério, ao passo que, no mercado spot, a tonelada da commodity era negociada a cerca de US$ 125. Com o novo sistema, o lucro líquido da Vale disparou 344% no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2009.
Segundo a mineradora, o efeito do aumento dos preços teve um efeito positivo deR$ 4,5 bilhões na receita operacional.
Com isso, a fatia do segmento de bulk materials (minério de ferro, pelotas,minério de manganês, ferro ligas, carvão metalúrgico e térmico) no Ebitda(geração operacional de caixa) total da Vale foi de 92,1% nos primeiros trêsmeses do ano para 94,1% entre julho e setembro. Além dos preços mais altos, osmaiores volumes vendidos, sustentados pela pesada demanda chinesa, tambémajudaram.
Depois dos recordes…Então, o que esperar em 2011 de uma empresa que este ano registrou o melhordesempenho operacional de sua história? De acordo com os analistas, a resposta émais um ano de forte performance da mineradora – que é de longe a maisrecomendada do setor.
“A Vale está bem posicionada para se aproveitar do super ciclo do minériode ferro”, escrevem Leonardo Correa e Renato Antunes, do Barclays.  O JPMorgantambém coloca a companhia entre as suas principais recomendações no setor.  “Coma liderança de custos da Vale, a qualidade de suas reservas e expectativa decrescimento, acreditamos que ela está melhor posicionada para se beneficiar doaperto do mercado de minério de ferro”, explica Rodolfo De Angele.
Para Correa e Antunes, do Barclays, esse é o primeiro dos grandes temas quedevem guiar o mercado em 2011. “Acreditamos cada vez mais que as projeções paraa oferta estão otimistas demais”, afirmam, lembrando que os novos projetos têmsofrido com atrasos e não têm conseguido suprir a demanda pela commodity. Elescitam dois projetos da Vale em Carajás como exemplo – ambos não só atrasados,mas também com expectativas de demoras ainda maiores, em meio a licençasambientais e problemas de infraestrutura.  Também esperando um mercado apertado, o Morgan Stanley estima em 17 milhõesde toneladas o déficit de minério de ferro em relação à demanda em 2011, númeroque deve cair para 6 milhões de toneladas no ano seguinte. Oferta e demanda A demanda deve seguir mais acelerada do que a oferta mesmo com aexpectativa de que a grande consumidora da commodity, a China, perca um pouco deritmo em 2011 – cabe lembrar que o país importa cerca de 65% do minério de ferroque consome, nas estimativas do Barclays.  Ademais, a China deve anunciar seu plano quinquenal de crescimento noprimeiro trimestre do ano, que deve, segundo o JPMorgan, enfatizar novamente ocompromisso do país com a urbanização e a infraestrutura. “Esperamos umcrescimento de 9% para o PIB (Produto Interno Bruto) chinês em 2011, e nãoprojetamos que o ciclo de aperto monetário afete de modo significativo a demandapor minério de ferro e aço”, completa o Barclays.
Já na visão da Fator Corretora, os emergentes – em especial os asiáticos, ecom destaque para a China – devem ditar o ritmo de crescimento da demanda noano, mas trazem também dúvidas. “As principais incertezas com relação à Chinareferem-se ao passo do desaquecimento econômico e à absorção interna da produçãode aço, que tem sido bastante sustentada por estímulos governamentais”, explicao analista Rodrigo Fernandes em relatório. Essas questões, segundo ele, devemmanter o mercado volátil no curto prazo. A dupla do Barclays ressalta, contudo, que para produtores de minério dealta qualidade – como a Vale – a volatilidade causada pelas flutuações dademanda é menor. Minério de ferro ainda em alta assim, com a China ainda sustentando boa parte da demanda e a ofertarestrita, a expectativa é que o minério siga em patamares elevados de preços. Noinício de dezembro, Correa e Antunes, do Barclays, elevaram sua projeção para ospreços da commodity – agora, a expectativa é que os preços sigam acima de US$100 por tonelada métrica seca (dmt, na sigla em inglês) pelos próximos cincoanos. Uma resposta mais lenta do que o esperado das mineradoras, uma curva decustos mais íngreme na China e um potencial para performance abaixo da média daoferta indiana estão entre os motivos para a elevação.
Outra equipe que elevou as projeções para o minério de ferro foi a do UBS,formada por Rene Klayweg, Marcelo Zilberberg e Onno Rutten. Considerando ospreços no sistema CIF (Cost, Insurance and Freight, em que o vendedor deveacertar o transporte dos produtos por via marítima até um porto, e oferecer osdocumentos necessários para que o comprador obtenha a mercadoria dotransportador), os preços da commodity ficaram em US$ 154 por tonelada para 2011(mesma estimativa anterior), US$ 163 em 2012 (alta de 7%), US$ 156 em 2013 (altade 19%) e US$ 123 para 2014 (alta de 21%).
Cabe dizer que os analistas, de modo geral, não esperam fortes variações nopreço do minério no ano. Também não há expectativa por uma nova mudança nosistema de precificação para 2011. Com as siderúrgicas e as mineradoras ainda emdiscussão, as eventuais mudanças devem acontecer gradualmente. Otimismo prevalece Assim, as perspectivas são bastante otimistas para o setor no ano – e,especificamente, para a Vale. Quase todas as recomendações para a companhiacompiladas pela InfoMoney são de compra ou desempenho acima da média do mercadoou setor. A gigante da mineração é top pick do Barclays, Bank of America MerrillLynch, UBS, Link e Ágora.
Além de ver a empresa como bem posicionada para o cenário de alta dominério de ferro, o Barclays destaca que a Vale ainda tem vantagenscompetitivas. Entre as principais, o banco lembra que a mineradora tem osmenores custos na indústria, produtos de qualidade superior, uma plataforma decrescimento orgânico de alto retorno e reservas de longo prazo. O Morgan Stanley também frisa os baixos custos da mineradora – que, em suavisão, sustentam margens operacionais acima da média e geração de caixa. “Um dosprincipais pontos positivos da Vale é a qualidade de seu produto em relação aosdemais concorrentes, que está melhorando, e não piorando durante a próximadécada”, completa o UBS.
A Link, por sua vez, destaca que as altas expectativas não se baseiamapenas no minério de ferro, mas também nos demais metais. “Esperamos um ótimoano para as mineradoras brasileiras, principalmente para a Vale, que tambémdeverá apresentar bons resultados em suas demais operações, já que os preços dosmetais também estão em alta e devem subir ainda mais com melhores perspectivasda economia mundial”, afirma o analista Leonardo Alves. Um desses metais é o cobre – que, no último trimestre, contribuiu com R$689 milhões nas receitas da empresa. “O cobre tem o melhor risco de upside,considerando que o equilíbrio global para 2011 pode atingir 500 mil toneladasmétricas de déficit, enquanto os estoques estarão semelhantes aos do início doano”, diz Colin Fenton, analista do JPMorgan. O Wells Fargo também coloca o cobre entre suas recomendações overweightpara o ano, apostando na demanda chinesa. Outro banco que tem uma avaliaçãopositiva sobre o metal é o Barclays. Segundo os analistas Gayle Berry, SukiCooper, Roxana Molina, Kevin Norrish e Nicholas Snowdon, os dados sugerem que arecuperação da demanda por cobre está ganhando ritmo, e vem superando asexpectativas na América Latina, América do Norte, China e Europa. “Acreditamosque há potencial para uma forte alta da demanda no primeiro semestre de 2011″,escrevem. O níquel, material do qual a Vale é a segunda maior produtora global,também pode subir no ano, na avaliação do Wells Fargo. O metal, segundo o banco,pode se beneficiar da contínua fraqueza do dólar. Apesar disso, o Wells Fargonão tem recomendação overweight para o níquel, avaliando que a demanda já maismoderada e os preços já elevados podem conter o upside do metal.
“Esperamos maiores remessas de níquel [da Vale] em um cenário de demandafirme, retorno de produção no Canadá e operações de dois novos projetos” comentaainda o analista Leo Larkin, da Standard & Poor’s Equity Research sobre asoperações da mineradora. Capex elevado, mas bem visto
O elevado capex da mineradora, por sua vez, também não preocupa a maioriados analistas. “Esperamos uma alta significativa no capex nos próximos trêsanos, mas acreditamos que a Vale conseguirá gerar retornos atrativos também”,explica o Morgan Stanley. Já o UBS vê a possibilidade de uma revisão para cima dos planos damineradora. “Com tantos orçamentos fechados de projetos ainda a anunciar, mesmocom guidances prévios, esperamos ver altas significativas em muitos dessesprojetos – o que não é algo específico da Vale, mas sim do setor”, aponta obanco, frisando ainda que o capex atual tem “uma escala que nunca vimos na Valeantes”. No mesmo sentido, a Fator comenta em relatório que “o plano deinvestimentos anunciado de US$ 24 bilhões para 2011 deverá ter a maior parcelafinanciada pela geração própria de caixa. Entretanto, a empresa está confortávelpatrimonial e financeiramente caso precise financiá-lo com dívida”, escreve oanalista Rodrigo Fernandes.
Há, contudo, riscos no plano de investimentos da empresa. O UBS destaca quea mineradora está aplicando um montante considerável de capital fora do seu corebusiness, o minério de ferro. Além disso, o banco ainda lembra que adiversificação geográfica implícita no capex pode trazer problemas – nem tantopor riscos geopolíticos, mas sim pelo lado de gerenciamento de projetos erecursos humanos.  “Não é que não acreditemos que a Vale não conseguirá executar seusprojetos, mas simplesmente que há riscos envolvidos em duplicar ou triplicar aintensidade de capex e espalhá-lo em um universo tão diversificado em termosgeográficos”, diz o banco.
Caro ou barato? Apesar de os analistas não discordarem dos bons fundamentos e perspectivaspara a Vale e para o setor de forma geral, alguns levantam a questão deprecificação dos papéis. “Gostamos do setor, a demanda por minério continua forte e a oferta nãodeve acompanhar a demanda. Mas isso já está precificado nos papéis da Vale – nãovemos um upside muito grande em relação ao índice no ano”, explica RossanoOltramari, analista da XP. “O ativo é sensacional, a gestão é fantástica, osetor está muito interessante. Mas isso já está no preço do ativo”. Outros, contudo, veem os ativos como baratos. Em relatório publicado emnovembro, o JPMorgan afirma que os papéis da mineradora estão baratos em relaçãoà média histórica e aos pares. O preço das ações, segundo Ben Laidler e Rodolfo de Angele, mais do que desconta o capex elevado da empresa e preocupações domercado sobre taxação de royalties do setor. No mesmo sentido, o Bank of AmericaMerrill Lynch, em relatório de Renato Onishi, Pedro Martins e Marina Vallepublicado no final de novembro indica que a Vale estava sendo negociada com umdesconto de 10% em relação à média do setor, considerando os múltiplos EV/Ebitdapara 2011.
Também em relatório do mês de novembro, o Morgan Stanley afirma que a Valetem um valuation razoável. Já a Standard & Poor’s Equity Research destacaque as ações da Vale devem ser negociadas com prêmio em relação aos pares,considerando seus ganhos relativamente mais estáveis.
Cabe destacar que, no mês de dezembro – considerando o fechamento do dia 29- as ações ON e PN da mineradora registram alta de 2,91% e 1,06%, nessa ordem. Ponderando os riscos em relatório, Lika Takahashi, da Fator, lembra que a apreciação do real temum “efeito perverso sobre as grandes exportadoras” – caso da Vale, como járeconheceu o próprio Roger Agnelli, presidente da companhia. Esse, entre outrosmotivos, justifica a recomendação da corretora para os papéis, “neutra”. Apesar das perspectivas positivas para o setor, o analista RodrigoFernandes pondera na questão que “as incertezas que permeiam essa recuperação[da siderurgia] e a possível sobreoferta de produtos siderúrgicos e de minérioreduzem as chances de aumento de preços”. “No caso de Vale, seu negócio principal é menos vulnerável à eventualrecaída da economia global, mas as incertezas tendem a ser crescentes em funçãotanto da nova regulamentação do setor de mineração, quanto do seu planoestratégico de longo prazo com a eventual saída de seu atual presidente”, apontaa Fator em relatório. A dupla do Barclays também reconhece o risco político da empresa, mas porhora o deixa de lado, assim como boa parte dos times de análise. “Ainda que orisco político esteja aumentando, esperamos que os fortes fundamentos e asoportunidades de crescimento sigam como principais drivers”, apontam osanalistas do banco britânico. O BofA ML também afirma que o upside nos preçosdos metais e o crescimento chinês compensam riscos de governança, como mudançasna diretoria da companhia e aumento de royalties. Os riscos para o cenário traçado pela dupla de análise do Barclays seconcentram em um excesso de oferta e elevação dos royalties no País. Já o MorganStanley aponta uma piora da crise fiscal na Europa, que poderia levar a umademanda menor por minério no continente, além de uma queda nas importaçõeschinesas da commodity, como principais riscos às projeções.
Por fim, o UBS classifica suas projeções de preço-alvo para os papéis damineradora como mais conservadoras, apontando mais um potencial ponto deproblemas para a companhia. “Acreditamos que o mercado tende a ignorar o capitalnecessário para investimentos para substituir minas esgotadas”, diz obanco.

Lobão pedirá urgência para Código de Mineração

Publicado por Geoinform em janeiro - 11 - 2011

O novo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, confirmou que o governo trabalha com um cronograma que prevê, para abril, o início das obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA). “Antes mesmo de tomar posse já havia conversado com o Ministério do Meio Ambiente sobre a questão do licenciamento do canteiro de obras. Todos sabemos que não poderemos ter atraso [para dar início às obras da usina]”, disse nesta segunda-feira (3) o ministro, após a cerimônia de transmissão de cargo.

Lobão citou ações do governo visando ao aumento da capacidade instalada de energia por meio de investimentos em fontes renováveis – previstos, segundo ele, em R$ 214 bilhões. O ministro reiterou que desenvolvimento e meio ambiente precisam andar juntos e que não se pode confundir defesa do meio ambiente com disputas ideológicas e políticas.

O novo Código de Mineração – marco regulatório que, entre outras medidas, prevê a criação da Agência Nacional de Mineração e a definição de prazos para a exploração de jazidas de minérios por empresas – também é uma das preocupações de Lobão, que retornou ao comando da pasta.

“Um dos setores mais importantes do MME é o [que cuida] de geologia e mineração. Sempre procurei dar a devida importância a ele, e o marco regulatório é uma tarefa à qual sempre me prestei, a fim de amenizar os problemas especulativos desse setor”, disse Lobão.

“Enviei em março o Código de Mineração à Casa Civil, que o encaminhou ao Ministério da Fazenda. Ele já retornou, mas não houve tempo hábil para que o [então] presidente Lula o examinasse. Pedirei [à presidente Dilma Rousseff] que dê urgência para essa questão”, acrescentou o ministro.

Segundo ele, a questão dos royalties dos minérios ficará para uma etapa seguinte, por envolver tributos. (Fonte: Agência Brasil) O novo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, confirmou que o governo trabalha com um cronograma que prevê, para abril, o início das obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA). “Antes mesmo de tomar posse já havia conversado com o Ministério do Meio Ambiente sobre a questão do licenciamento do canteiro de obras. Todos sabemos que não poderemos ter atraso [para dar início às obras da usina]”, disse hoje (3) o ministro, após a cerimônia de transmissão de cargo.

Lobão citou ações do governo visando ao aumento da capacidade instalada de energia por meio de investimentos em fontes renováveis – previstos, segundo ele, em R$ 214 bilhões. O ministro reiterou que desenvolvimento e meio ambiente precisam andar juntos e que não se pode confundir defesa do meio ambiente com disputas ideológicas e políticas.  O novo Código de Mineração – marco regulatório que, entre outras medidas, prevê a criação da Agência Nacional de Mineração e a definição de prazos para a exploração de jazidas de minérios por empresas – também é uma das preocupações de Lobão, que retornou ao comando da pasta. “Um dos setores mais importantes do MME é o [que cuida] de geologia e mineração. Sempre procurei dar a devida importância a ele, e o marco regulatório é uma tarefa à qual sempre me prestei, a fim de amenizar os problemas especulativos desse setor”, disse Lobão.
“Enviei em março o Código de Mineração à Casa Civil, que o encaminhou ao Ministério da Fazenda. Ele já retornou, mas não houve tempo hábil para que o [então] presidente Lula o examinasse. Pedirei [à presidente Dilma Rousseff] que dê urgência para essa questão”, acrescentou o ministro. Segundo ele, a questão dos royalties dos minérios ficará para uma etapa seguinte, por envolver tributos. Da Agência Brasil

Mineração é setor promissor em Mato Grosso

Publicado por Geoinform em janeiro - 11 - 2011

Em 2010, o que movimentou a mineração mato-grossense foi a descoberta dodepósito mineral de fosfato, em Mirassol do Oeste, a cerca de 320 quilômetros de Cuiabá. Outras ações também incrementaram o setor. Em 2002, Mato Grosso ocupava o 11º lugar no ranking dos Estados que mais pediam autorização de pesquisa mineral (requerimentos minerais). Em 2009 passou para o 6º lugar e em 2010, atingiu o 4º lugar, perdendo apenas para Minas Gerais, Bahia e Goiás.

De acordo com o secretário de Indústria, Comércio, Minas e Energia, Pedro Nadaf esse salto se deu em função das ações desenvolvidas nos últimos 8 anos. ”No governo Blairo Maggi fizemos estudos em parceria com várias entidades que revelaram o mapa das minas de Mato Grosso. Atualmente, sabemos o que há em cada região”. O carro chefe da mineração do Estado ainda é o ouro e o diamante, mas também há calcário moído, níquel, cobre, zinco, ferro e vários outros
minerais.
Para encontrar estes depósitos de minerais e mapear as minas foram feitos várias pesquisas, estudos e projetos. Entre eles, o Mapa Geológico do Estado, Noroeste de Mato Grosso, Sig Ambiental de Cuiabá, Levantamento Aerogeofísico Áreas 1 e 2, Noroeste-Nordeste de Mato Grosso e Fosfato Mato Grosso. Todos estes estudos e trabalhos foram desenvolvidos em parcerias com o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e com a CPRM, uma empresa pública vinculada ao
Ministério de Minas e Energia com atribuições de Serviço Geológico do Brasil.
Com todas estas ações, Mato Grosso se tornou atraente para os empreendedores do setor Mineral. Nadaf conta que na última reunião que teve com a empresa que tem a concessão da área onde está o depósito mineral de fosfato, em Mirassol, o diretor técnico da GME4, José Augusto Dantas informou que a empresa está elaborando um cronograma de trabalho e que no próximo mês de janeiro deve começar os estudos na região.
“Transformação na economia”. É isso que o secretário Nadaf garante com a chegada de novos empreendimentos no setor da mineração em Mato Grosso. O Estado também tem depósitos de vários outros minerais que podem ser explorados nos
próximos anos. “É mais uma forma de verticalizar a economia, gerar emprego e renda para os municípios onde estão localizados estes minerais”.
Mato Grosso também comemora o aumento de produção de diamante e ouro. Em 2003 era produzido apenas 12.501 quilates de diamante por ano. Esse número saltou para 36.998 quilates em 2008. Os números de 2009 e 2010 ainda estão sendo tabulados.  Em 2003, o Estado produzia apenas 173 quilos de ouro. Esse número aumentou para 5.290 quilos em 2009. Assim como o ouro e o diamante, também houve aumento de produção de outros produtos utilizados na construção civil.A produção de
argila em 2003 era de 111.154 toneladas por ano. Já em 2008 passou a ser de 215.200 toneladas por ano.
A mineração é um setor muito promissor em Mato Grosso. “Tem muito espaço para crescer. Continuaremos desenvolvendo os projetos e atraindo novos investimentos e investidores. Nosso objetivo é gerar emprego e renda e melhorar a qualidade de vida do mato-grossense”, conclui Nadaf.
Fonte: www.senge-go.org.b

Introdução
As práticas de amostragem de gases no solo,  ou Soil Gas Survey, como técnica de varredura para o auxílio no delineamento de
contaminação da sub superfície por compostos orgânicos voláteis (COV) foram introduzidas na década de 80 e, desde estão, são largamente utilizadas nas várias etapas de investigação e monitoramento de áreas contaminadas ou potencialmente contaminadas.
O Soil Gas Survey consiste no monitoramento, análise e interpretação das concentrações dos compostos orgânicos voláteis (COV) na atmosfera não saturada do solo, de maneira a auxiliar na identificação da presença, composição, fontes e distribuição de contaminantes líquidos na sub superfície, ou ainda na identificação da intrusão de vapores desses compostos para o interior de edificações. Os COV presentes na atmosfera não saturada do solo resultam da volatilização dos compostos em fase liquida, residual e Adsorvida no solo e dissolvida na água subterrânea, resultantes de uma liberação  para o meio num evento de contaminação.. As varreduras de Soil Gas permitem o mapeamento das concentrações dos COV em fase de vapor no solo, como indicativo da presença e potencial localização dos centros de massa da contaminação do solo ou água subterrânea.
Nas investigações de Soil Gas, são mais comumente utilizados no Brasil detectores de gases que operam pelo princípio de oxidação catalítica ou foto ionização, devido ao seu custo relativamente baixo e facilidade de uso. style=”FONT-FAMILY: “>
Métodos de Detecção de Gases em Sub Superfície
De acordo com a Norma ASTM D5314 (Standard Guide for Soil Gas Monitoring in the Vadose Zone), os métodos de investigação de gases no solo são divididos em duas classes: As técnicas ativas de amostragem de gases referem-se aos métodos que removem fisicamente a amostra de gás do solo, normalmente através da sucção com bombas de vácuo (Marrin and Thompson, 1987) para análise em instrumentos de campo (Detectores por Oxidação Catalítica, Foto Ionização ou Ionização por Chama) ou em laboratório através de cromatografia gasosa. Técnicas passivas são aquelas que exigem que materiais absorventes (ex: Gore Sorber) sejam posicionados  na zona não saturada da sub superfície, de maneira que as fases gasosas dos compostos orgânicos voláteis sejam capturados por processos de sorção química (Kerfoot and Mayer, 1986) ao material absorvente em função do fluxo ambiente (difusão e advecção) e analisados posteriormente em laboratório.
Por ser uma técnica expedita e permitir a mensuração direta das concentrações das fases gasosas dos compostos orgânicos voláteis em solo e ter um menor custo, as técnicas ativas são utilizadas com mais freqüência. Os procedimentos detalhados para a realização de investigações de gases em solo podem ser encontrados na Norma ASTM D5314.3. Propriedades Físicas e Químicas dos Compostos de Interesse Antes do início das atividades de amostragem de gases no solo, o profissional deve
avaliar as características físico químicas dos compostos potencialmente presentes no solo e o potencial dos mesmos existirem na fase gasosa.
A Pressão de Vapor é uma das características mais importantes a serem avaliadas, uma vez que este parâmetro rege a tendência de um elemento passar da fase líquida para a fase gasosa, ou seja, evaporar.  A Pressão de Vapor é a pressão que o vapor exerce quando em equilíbrio com o compostos em fase liquida ou sólida. Quanto maior for a pressão de vapor, mais rapidamente o composto evaporar-se-á para a fase gasosa.  Como regra geral, compostos com pressão de vapor maior que 0.5 mmHg podem ser detectados pelas técnicas ativas de monitoramento. Constante de Henry Outro parâmetro extremamente importante a ser avaliado é a Constante de Henry do composto.  A Constante de Henry mensura a tendência de um composto particionar da fase líquida para a fase gasosa.   A Constante de Henry é um valor adimensional, obtido pela divisão da concentração de equilíbrio de um composto no ar [M/V] pela concentração de equilíbrio em água [M/V], a uma dada pressão e
temperatura. Compostos com maior tendência de existirem na fase gasosa possuem Constante de Henry com valores maiores que 1. Compostos com maior tendência a existir ou permanecer em água possuem Constante de Henry com valores menores que Apresentamos abaixo um exemplo dos parâmetros físico químicos para alguns compostos de interesse: Por serem instrumentos de custo relativamente baixo e de fácil utilização, os profissionais de meio ambiente utilizam com maior freqüência detectores portáteis de Oxidação Catalítica e/ou Foto Ionização nas etapas de varredura de COV em solo nas investigações ambientais realizadas no Brasil. Este artigo não abordará os detectores de gás por ionização de chama
(FID)
No entanto, é freqüente encontrarmos dúvidas quanto a aplicabilidade de cada tipo de instrumento nas investigações de Soil Gas. Detectores de Gás por Oxidação Catalítica Os Detectores de Gás por Oxidação Catalítica (ex: Gastech Innova SV) são os instrumentos mais utilizados em varreduras de Soil Gas em postos de abastecimento, em função das recentes regulamentações Federais e Estaduais que determinam a necessidade de avaliação de passivos ambientais nestes estabelecimentos. Os sensores de oxidação catalítica existem há mais de 50 anos e baseiam-se no fenômeno da combustão catalítica.  São sensores muito utilizados para a detecção de gases combustíveis. Princípio de Funcionamento Normalmente, os instrumentos de detecção de gases por oxidação catalítica (ex: Gastech Innova SV) possuem um circuito com dois eletrodos de platina para a medição da concentração dos gases que é succionada para a câmara de combustão do instrumento. Ambos eletrodos de platina são aquecidos a uma temperatura pré determinada.  Conforme o composto orgânico volátil em fase gasosa é oxidado na câmara de combustão, a temperatura do eletrodo ativo (active bead) aumenta em função da concentração do gás que é queimado, o que causa a alteração da resistividade do sensor . No entanto, a temperatura do eletrodo de referência (reference bead) permanece inalterada e, assim como, a resistividade do sensor.
O diferencial da resistividade no sensor, em função do diferencial de temperatura dos eletrodos, é então convertido para a concentração do gás oxidado em massa por volume ou em Eliminação de Metano O gás metano (CH4) pode ocorrer na subsuperfície em função vários processos, tais como: biodegradação de material orgânico presente no solo, biodegradação dos COV, presença de matéria orgânica proveniente de vazamentos de redes de esgoto, etc.  Uma vez que todos vapores dos gases contidos no solo são succionados e oxidados juntamente pelo detector de gases, a existência de gás metano no solo causará o umento na leitura do instrumento. Este aumento pode levar o profissional a majorar, inadvertidamente, a concentração dos COV de interesse.
Por este motivo, é muito importante que os instrumentos de detecção de gás por oxidação catalítica (ex: Gastech Innova SV) possuam modo de leitura com eliminação de metano.  Neste modo de operação, os eletrodos de platina são aquecidos a uma temperatura que não oxida o gás metano, fazendo com que o mesmo não interfira na leitura dos COV de interesse para fins
de avaliação de áreas contaminadas por hidrocarbonetos de petróleo. Limitações do Sensor de Oxidação Catalítica Compostos com mais de 8 carbonos na sua cadeia atômica (ex: diesel, óleos lubrificantes, etc.) ou compostos clorados (ex: etenos e etanos clorados, etc.), tem dificuldade para se difundirem pelo material inibidor de chama dos quais são construídos os sensores de oxidação catalítica de Wheatstone. A utilização deste tipo de material inibidor de chamas é
necessário para evitar que o próprio sensor entre em combustão durante seu funcionamento.
Por este motivo, de maneira geral, os detectores de gases por oxidação catalítica não são adequados para a detecção de compostos orgânicos voláteis provenientes de vazamentos de diesel ou compostos clorados. Nestas situações, tais vapores não serão detectados pelo instrumento, mesmo que presentes em solo em altas concentrações.  No caso específico do óleo diesel, os detectores de oxidação catalítica conseguirão detectar apenas, e de modo limitado, alguns compostos presentes na composição do óleo diesel, no caso de vazamentos recentes. Infelizmente, por desconhecerem as limitações desta
tecnologia de detecção de gases, alguns profissionais de meio ambiente utilizam, inadvertidamente, detectores de oxidação catalítica em varreduras de soil gas em áreas potencialmente contaminadas por óleo diesel ou compostos
clorados. O instrumento mais adequado para a varredura de soil gás, nesses casos, são os detectores por foto ionização (PID), conforme descrito adiante.
É importante ressaltar que a investigação de soil gas pode resultar em falsos negativos em função do tipo de composto
contaminante e idade da contaminação.  Por exemplo, uma área confirmadamente contaminada pode não apresentar leituras de COV em função da idade da contaminação, uma vez que os COV em fase gasosa podem ter se degradado ou volatilizado totalmente.  Nestes casos, as amostras de solo e águas subterrâneas são fundamentais para a identificação da contaminação.
Faixa de Leitura Para trabalhos de mapeamento de vapores em solo em investigações de passivos ambientais, é importante que o instrumento de detecção de gases possua faixa de leitura ampla (ex: até 10.000 ppm). Instrumentos com faixa de leitura ampla (ex: Gastech Innova SV) permitem o mapeamento de vários gradientes de concentração, proporcionando o discernimento entre áreas fonte, com altas concentrações de COV em solo, e plumas com concentrações intermediárias de vapores no solo.
Instrumentos com menor faixa de leitura (ex: até 1.000 ppm) podem atingir valores de fundo de escala em pontos da contaminação com concentrações intermediárias, dificultando a localização de áreas com maiores índices de COV em solo, ou mesmo áreas fonte. Detectores de Gás por Foto Ionização (PID)

Os detectores de gás por foto ionização (ex: Gas Alert Micro5 PID da BW Technologies, PhoCheck da Íon Science, etc.) promovem a ionização das moléculas dos compostos orgânicos voláteis através de luz ultra violeta (UV) . O componente principal destes instrumentos é a lâmpada UV, a qual emite um comprimento de onda capaz de ionizar compostos com potencial elétrico inferior ao da lâmpada. Lâmpadas Ultra Violeta As lâmpadas utilizadas nos detectores PID podem ser de
Xenon, Krypton ou Argon.  A escolha entre essas lâmpadas depende do tipo de compostos a ser detectados e seus potenciais de ionização. As lâmpadas de Xenon emitem comprimentos de onda de 147,6nm e 129,1nm, o que equivale a 8.4 e 9.6eV, respectivamente. Tais lâmpadas são comumente chamadas de “Lâmpadas de 9.6eV” e são capazes de ionizar gases com potencial de ionização igual ou menor que 9.6eV. As lâmpadas de Krypton operam com comprimento de onda de 123,9nm e 116,9nm, equivalente a 10,0 e 10,6eV, respectivamente. Detectores PID equipados com lâmpadas de 10,6eV são capazes de ionizar compostos com potencial de ionização igual ou inferior a 10,6eV. Detectores equipados com lâmpadas de Argon, as quais memitem comprimento de onda de 105,9nm, são capazes de ionizar vapores de compostos orgânicos voláteis com potencial de ionização de até 11,7eV.
É muito importante que o usuário avalie os tipos de compostos orgânicos voláteis que serão potencialmente detectados em campo e analise se os potenciais de ionização dos compostos são inferiores ao potencial da lâmpada que equipa o detector.  Caso o instrumento esteja equipado com uma lâmpada de potencial de ionização inferior ao dos compostos potencialmente presentes no campo, os mesmos não serão detectados pelo instrumento. Por exemplo, o Benzeno possui potencial de ionização de 9,25eV.  Portanto, é um composto detectável por instrumentos PID equipados com lâmpadas 9,6eV, 10,6eV ou 11,7eV.
Em contrapartida, o Tetracloroeteno e o Tetracloroetileno, compostos comumente encontrados em áreas industriais contaminadas por solventes clorados, possuem potencial de ionização da ordem de 11,1eV. Neste caso, somente detectores PID equipados com lâmpadas de 11,7eV conseguirão ionizar e, consequentemente detectar, esses compostos. Apresentamos a seguir uma tabela com o Potencial de Ionização (EI) de alguns compostos frequentemente encontrados em subsuperfície
em áreas contaminadas: Conforme demonstrado na tabela acima, o gás metano [CH4] possui potencial de ionização de 12,51eV. Portanto o metano não é ionizado pelos instrumentos PID e, por conseqüência não é detectável, independente do tipo de lâmpada utilizada. Limitações do Detectores de Foto Ionização (PID) Um fator que deve ser considerado pelo profissional que investiga uma área contaminada, ou potencialmente contaminada, é que, de maneira geral, os detectores de gás por foto ionização (PID) podem sofrer interferências quando o vapor amostrado possuir alto teor de umidade. A umidade do vapor pode se condensar na superfície da lâmpada ultra violeta do instrumento e interferir nas leituras. Esta limitação deve ser considerada quando os detectores PID forem utilizados em varreduras de Soil Gas em solos com altos teores de umidade ou quando o aqüífero estiver próximo a superfície do terreno. Faixa de Leituras A faixa de leitura dos detectores PID disponíveis no mercado pode variar de poucas partes por bilhão (ppb) até valores da ordem de 20.000 ppm, dependendo do modelo do instrumento. Para o mapeamento dos diferentes e amplos gradientes de concentração potencialmente detectáveis numa varredura de Soil Gas, é recomendável que o detector PID tenha escala máxima de, pelo menos, 3.000ppm.  Com esta resolução, é possível discernir locais com concentrações intermediárias e altas de COV em sub superfície. Conclusões o planejamento prévio antes do início de uma investigação da presença de vapores de compostos orgânicos voláteis é fundamental para a escolha do tipo de monitoramento mais adequando para o local, em função das condições geológicas e tipos de compostos potencialmente envolvidos, lembrando que a forma de executar a investigação também terá grande influência nos resultados a serem obtidos. Assegurar a estanqueidade durante a medição e permitir um tempo de equilíbrio após a perfuração é fundamental para a obtenção de resultados confiáveis. Em investigações que utilizem detectores portáteis de gás, é importante que o
profissional avalie as características físico químicas dos compostos e o tipo de instrumento mais adequado para a detecção dos mesmos em campo. Os detectores de gás por oxidação catalítica com faixa de leitura até 10.000ppm são instrumentos adequados para trabalhos de varredura de Soil Gas em locais contaminados ou potencialmente contaminados por hidrocarbonetos leves. No entanto, os detectores de oxidação catalítica não são adequados para investigações em áreas potencialmente contaminadas por hidrocarbonetos pesados,tais como diesel, ou compostos com mais de 8 carbonos em sua cadeia atômica.
A grande faixa de leitura e a possibilidade de realizar medições com a eliminação de metano permite o mapeamento dos vários gradientes de concentração de COV em solo numa área em investigação. Os detectores de gás por foto ionização (PID), por sua vez, permitem a detecção de uma grande gama de compostos, em função do potencial de ionização da lâmpada que equipa o instrumento.  É de suma importância que o profissional de meio ambiente verifique a compatibilidade entre o potencial de
ionização da lâmpada e dos compostos potencialmente presentes. A faixa de leitura do detector PID deve ser avaliada quanto ao grau de resolução que se pretende no mapeamento das concentrações dos COV em solo. Ainda, é importante reconhecer a limitação dos sensores PID quando em ambientes com altos teores de umidade. Paulo Negrão é CEO e Diretor Técnico da Clean Environment Brasil, empresa especializada em instrumentação para nvestigação, monitoramento e remediação de áreas contaminadas. É professor do Curso de Investigações em Geotecnia Ambiental da UNICAMP e no Programa PIA de Gestão de Áreas Contaminadas da CETESB e SINDICOM. É sub relator do Grupo de Trabalho da ABNT para a elaboração das Normas Brasileiras para amostragem de águas subterrâneas e instrutor em programas de treinamento de várias agencias ambientais estaduais. Agradecimentos Gostaria de agradecer a colaboração dos colegas Vicente Aquino Neto da CETESB e Ero Crozeira da A1 Consultoria Ambiental pelas ontribuições e revisão deste artigo. Referências Bibliográficas
Introdução Aspráticas de amostragem de gases no solo,  ou Soil GasSurvey, como técnica de varredura para o auxílio no delineamento decontaminação da sub superfície por compostos orgânicos voláteis (COV) foramintroduzidas na década de 80 e, desde estão, são largamente utilizadas nasvárias etapas de investigação e monitoramento de áreas contaminadas oupotencialmente contaminadas. OSoil Gas Survey consiste no monitoramento, análise e interpretação dasconcentrações dos compostos orgânicos voláteis (COV) na atmosfera não saturadado solo, de maneira a auxiliar na identificação da presença, composição, fontese distribuição de contaminantes líquidos na sub superfície, ou ainda naidentificação da intrusão de vapores desses compostos para o interior deedificações. Os COVpresentes na atmosfera não saturada do solo resultam da volatilização doscompostos em fase liquida, residual e Adsorvida no solo e dissolvida na águasubterrânea, resultantes de uma liberação  para o meio numevento de contaminação. Asvarreduras de Soil Gas permitem o mapeamento das concentrações dos COV em fasede vapor no solo, como indicativo da presença e potencial localização doscentros de massa da contaminação do solo ou água subterrânea. Nas investigações deSoil Gas, são mais comumente utilizados no Brasil detectores de gasesque operam pelo princípio de oxidação catalítica ou foto ionização, devido aoseu custo relativamente baixo e facilidade de uso.
Métodosde Detecção de Gases em Sub Superfície Deacordo com a Norma ASTM D5314 (Standard Guide for Soil Gas Monitoring in theVadose Zone), os métodos de investigação de gases no solo são divididos emduas classes: Astécnicas ativas de amostragem de gases referem-se aos métodos que removemfisicamente a amostra de gás do solo, normalmente através da sucção com bombasde vácuo (Marrin and Thompson, 1987) para análise em instrumentos de campo(Detectores por Oxidação Catalítica, Foto Ionização ou Ionização por Chama) ouem laboratório através de cromatografia gasosa.

Técnicas passivas são aquelas que exigem que materiaisabsorventes (ex: Gore Sorber) sejam posicionados  na zona nãosaturada da sub superfície, de maneira que as fases gasosas dos compostosorgânicos voláteis sejam capturados por processos de sorção química (Kerfoot andMayer, 1986) ao material absorvente em função do fluxo ambiente (difusão eadvecção) e analisados posteriormente em laboratório.  Porser uma técnica expedita e permitir a mensuração direta das concentrações dasfases gasosas dos compostos orgânicos voláteis em solo e ter um menor custo, astécnicas ativas são utilizadas com mais freqüência.  Osprocedimentos detalhados para a realização de investigações de gases em solopodem ser encontrados na Norma ASTM D5314.

3.Propriedades Físicas e Químicas dos Compostos deInteresse Antesdo início das atividades de amostragem de gases no solo, o profissional deveavaliar as características físico químicas dos compostos potencialmentepresentes no solo e o potencial dos mesmos existirem na fasegasosa. A Pressão de Vapor é uma das características maisimportantes a serem avaliadas, uma vez que este parâmetro rege a tendência de umelemento passar da fase líquida para a fase gasosa, ou seja,evaporar.  A Pressão de Vapor é a pressão que o vapor exercequando em equilíbrio com o compostos em fase liquida ou sólida.  Quantomaior for a pressão de vapor, mais rapidamente o composto evaporar-se-á para afase gasosa.  Como regra geral, compostos com pressão de vapormaior que 0.5 mmHg podem ser detectados pelas técnicas ativas demonitoramento. Constante de Henry Outro parâmetro extremamente importante a ser avaliado é aConstante de Henry do composto.  A Constante de Henry mensuraa tendência de um composto particionar da fase líquida para a fasegasosa.   A Constante de Henry é um valoradimensional, obtido pela divisão da concentração de equilíbrio de um compostono ar [M/V] pela concentração de equilíbrio em água [M/V], a uma dada pressão etemperatura.  Compostos com maior tendência de existirem na fase gasosapossuem Constante de Henry com valores maiores que. Compostos com maior tendência a existir ou permanecer em água possuemConstante de Henry com valores menores que.
Apresentamos abaixo um exemplo dos parâmetros físicoquímicos para alguns compostos de interesse: Porserem instrumentos de custo relativamente baixo e de fácil utilização, osprofissionais de meio ambiente utilizam com maior freqüência detectoresportáteis de Oxidação Catalítica e/ou Foto Ionização nas etapas de varredura deCOV em solo nas investigações ambientais realizadas no Brasil. Este artigo não abordará os detectores de gás por ionização de chama(FID) Noentanto, é freqüente encontrarmos dúvidas quanto a aplicabilidade de cada tipode instrumento nas investigações de Soil Gas.  Detectores de Gás por OxidaçãoCatalítica Os Detectores de Gás por Oxidação Catalítica(ex: Gastech Innova SV) são os instrumentos mais u ilizados em varreduras deSoil Gas em postos de abastecimento, em função das recentesregulamentações Federais e Estaduais que determinam a necessidade de avaliaçãode passivos ambientais nestes estabelecimentos. Os sensores de oxidaçãocatalítica existem há mais de 50 anos e baseiam-se no fenômeno da combustãocatalítica.  São sensores muito utilizados para a detecção degases combustíveis. Princípio deFuncionamento Normalmente, os instrumentos de detecção de gasespor oxidação catalítica (ex: Gastech Innova SV) possuem um circuito com doiseletrodos de platina para a medição da concentração dos gases que é succionadapara a câmara de combustão do instrumento.

Ambos eletrodos de platina são aquecidos a umatemperatura pré determinada.  Conforme o composto orgânicovolátil em fase gasosa é oxidado na câmara de combustão, a temperatura doeletrodo ativo (active bead) aumenta em função da concentração do gásque é queimado, o que causa a alteração da resistividade do sensor . No entanto, a temperatura do eletrodo de referência (referencebead) permanece inalterada e, assim como, a resistividade dosensor.  O diferencial da resistividade no sensor, em função dodiferencial de temperatura dos eletrodos, é então convertido para a concentraçãodo gás oxidado em massa por volume ou em Eliminação deMetano O gás metano (CH4) pode ocorrer nasubsuperfície em função vários processos, tais como: biodegradação de materialorgânico presente no solo, biodegradação dos COV, presença de matéria orgânicaproveniente de vazamentos de redes de esgoto, etc.  Uma vezque todos vapores dos gases contidos no solo são succionados e oxidadosjuntamente pelo detector de gases, a existência de gás metano no solo causará oaumento na leitura do instrumento. Este aumento pode levar o profissional amajorar, inadvertidamente, a concentração dos COV deinteresse. Por este motivo, é muito importante que os instrumentos dedetecção de gás por oxidação catalítica (ex: Gastech Innova SV) possuam modo deleitura com eliminação de metano.  Neste modo de operação, oseletrodos de platina são aquecidos a uma temperatura que não oxida o gás metano,fazendo com que o mesmo não interfira na leitura dos COV de interesse para finsde avaliação de áreas contaminadas por hidrocarbonetos depetróleo. Limitações do Sensor deOxidação Catalítica Compostos com mais de 8 carbonos na sua cadeia atômica(ex: diesel, óleos lubrificantes, etc.) ou compostos clorados (ex: etenos eetanos clorados, etc.), tem dificuldade para se difundirem pelo materialinibidor de chama dos quais são construídos os sensores de oxidação catalíticade Wheatstone.

A utilização deste tipo de material inibidor de chamas énecessário para evitar que o próprio sensor entre em combustão durante seufuncionamento. Por este motivo, de maneira geral, os detectores de gasespor oxidação catalítica não são adequados para a detecção de compostos orgânicosvoláteis provenientes de vazamentos de diesel ou compostos clorados. Nestas situações, tais vapores não serão detectados pelo instrumento,mesmo que presentes em solo em altas concentrações.  No casoespecífico do óleo diesel, os detectores de oxidação catalítica conseguirãodetectar apenas, e de modo limitado, alguns compostos presentes na composição doóleo diesel, no caso de vazamentos recentes.

Infelizmente, por desconhecerem as limitações destatecnologia de detecção de gases, alguns profissionais de meio ambiente utilizam,inadvertidamente, detectores de oxidação catalítica em varreduras de soilgas em áreas potencialmente contaminadas por óleo diesel ou compostosclorados. O instrumento mais adequado para a varredura de soil gás,nesses casos, são os detectores por foto ionização (PID), conforme descritoadiante.    É importante ressaltar que a investigação de soilgas pode resultar em falsos negativos em função do tipo de compostocontaminante e idade da contaminação.  Por exemplo, uma áreaconfirmadamente contaminada pode não apresentar leituras de COV em função daidade da contaminação, uma vez que os COV em fase gasosa podem ter se degradadoou volatilizado totalmente.  Nestes casos, as amostras de soloe águas subterrâneas são fundamentais para a identificação dacontaminação.

Faixa deLeitura Para trabalhos de mapeamento de vapores em solo eminvestigações de passivos ambientais, é importante que o instrumento de detecçãode gases possua faixa de leitura ampla (ex: até 10.000 ppm).

Instrumentos com faixa de leitura ampla (ex: GastechInnova SV) permitem o mapeamento de vários gradientes de concentração,proporcionando o discernimento entre áreas fonte, com altas concentrações de COVem solo, e plumas com concentrações intermediárias de vapores nosolo.  Instrumentos com menor faixa de leitura (ex: até 1.000ppm) podem atingir valores de fundo de escala em pontos da contaminação comconcentrações intermediárias, dificultando a localização de áreas com maioresíndices de COV em solo, ou mesmo áreas fonte. Detectores de Gás por Foto Ionização (PID)  Osdetectores de gás por foto ionização (ex: Gas Alert Micro5 PID da BWTechnologies, PhoCheck da Íon Science, etc.) promovem a ionização das moléculasdos compostos orgânicos voláteis através de luz ultra violeta (UV) . O componente principal destes instrumentos é a lâmpada UV, a qual emiteum comprimento de onda capaz de ionizar compostos com potencial elétricoinferior ao da lâmpada. Lâmpadas Ultra Violeta  As lâmpadas utilizadas nos detectores PID podem ser deXenon, Krypton ou Argon.  A escolha entre essas lâmpadasdepende do tipo de compostos a ser detectados e seus potenciais deionização.

As lâmpadas de Xenon emitem comprimentos de onda de147,6nm e 129,1nm, o que equivale a 8.4 e 9.6eV, respectivamente. Tais lâmpadas são comumente chamadas de “Lâmpadas de 9.6eV” e são capazes de ionizar gases com potencial de ionização igual ou menorque 9.6eV.  As lâmpadas de Krypton operam com comprimento de onda de123,9nm e 116,9nm, equivalente a 10,0 e 10,6eV, respectivamente. Detectores PID equipados com lâmpadas de 10,6eV são capazes de ionizarcompostos com potencial de ionização igual ou inferior a10,6eV.  Detectores equipados com lâmpadas de Argon, as quaisemitem comprimento de onda de 105,9nm, são capazes de ionizar vapores decompostos orgânicos voláteis com potencial de ionização de até11,7eV.

É muito importante que o usuário avalie os tipos decompostos orgânicos voláteis que serão potencialmente detectados em campo eanalise se os potenciais de ionização dos compostos são inferiores ao potencialda lâmpada que equipa o detector.  Caso o instrumento estejaequipado com uma lâmpada de potencial de ionização inferior ao dos compostospotencialmente presentes no campo, os mesmos não serão detectados peloinstrumento. Por exemplo, o Benzeno possui potencial de ionização de9,25eV.  Portanto, é um composto detectável por instrumentosPID equipados com lâmpadas 9,6eV, 10,6eV ou 11,7eV.  Em contrapartida, o Tetracloroeteno e o Tetracloroetileno,compostos comumente encontrados em áreas industriais contaminadas por solventesclorados, possuem potencial de ionização da ordem de 11,1eV. Neste caso, somente detectores PID equipados com lâmpadas de 11,7eVconseguirão ionizar e, consequentemente detectar, essescompostos.


Apresentamos a seguir uma tabela com o Potencial deIonização (EI) de alguns compostos frequentemente encontrados em subsuperfícieem áreas contaminadas: Conforme demonstrado na tabela acima, o gás metano[CH4] possui potencial de ionização de 12,51eV. Portanto o metano não é ionizado pelos instrumentos PID e, porconseqüência não é detectável, independente do tipo de lâmpadautilizada. Limitações do Detectores deFoto Ionização (PID) Um fator que deve ser considerado pelo profissional queinvestiga uma área contaminada, ou potencialmente contaminada, é que, de maneirageral, os detectores de gás por foto ionização (PID) podem sofrer interferênciasquando o vapor amostrado possuir alto teor de umidade.

A umidade do vapor pode se condensar na superfície dalâmpada ultra violeta do instrumento e interferir nas leituras. Esta limitação deve ser considerada quando os detectores PID foremutilizados em varreduras de Soil Gas em solos com altos teores deumidade ou quando o aqüífero estiver próximo a superfície doterreno. Faixa de Leituras
A faixa de leitura dos detectores PID disponíveis nomercado pode variar de poucas partes por bilhão (ppb) até valores da ordem de20.000 ppm, dependendo do modelo do instrumento.

Para o mapeamento dos diferentes e amplos gradientes deconcentração potencialmente detectáveis numa varredura de Soil Gas, érecomendável que o detector PID tenha escala máxima de, pelo menos,3.000ppm.  Com esta resolução, é possível discernir locais comconcentrações intermediárias e altas de COV em sub superfície. Conclusões Oplanejamento prévio antes do início de uma investigação da presença de vaporesde compostos orgânicos voláteis é fundamental para a escolha do tipo demonitoramento mais adequando para o local, em função das condições geológicas etipos de compostos potencialmente envolvidos, lembrando que a forma de executara investigação também terá grande influência nos resultados a serem obtidos.Assegurar a estanqueidade durante a medição e permitir um tempo de equilíbrioapós a perfuração é fundamental para a obtenção de resultadosconfiáveis.
Eminvestigações que utilizem detectores portáteis de gás, é importante que oprofissional avalie as características físico químicas dos compostos e o tipo deinstrumento mais adequado para a detecção dos mesmos em campo. Osdetectores de gás por oxidação catalítica com faixa de leitura até 10.000ppm sãoinstrumentos adequados para trabalhos de varredura de Soil Gas em locaiscontaminados ou potencialmente contaminados por hidrocarbonetosleves.  Noentanto, os detectores de oxidação catalítica não são adequados parainvestigações em áreas potencialmente contaminadas por hidrocarbonetos pesados,tais como diesel, ou compostos com mais de 8 carbonos em sua cadeiaatômica.  Agrande faixa de leitura e a possibilidade de realizar medições com a eliminaçãode metano permite o mapeamento dos vários gradientes de concentração de COV emsolo numa área em investigação.

Osdetectores de gás por foto ionização (PID), por sua vez, permitem a detecção deuma grande gama de compostos, em função do potencial de ionização da lâmpada queequipa o instrumento.  É de suma importância que oprofissional de meio ambiente verifique a compatibilidade entre o potencial deionização da lâmpada e dos compostos potencialmente presentes. Afaixa de leitura do detector PID deve ser avaliada quanto ao grau de resoluçãoque se pretende no mapeamento das concentrações dos COV em solo. Ainda, é importante reconhecer a limitação dos sensores PID quando emambientes com altos teores de umidade.  Paulo Negrão é CEO e Diretor Técnico da CleanEnvironment Brasil, empresa especializada em instrumentação parainvestigação, monitoramento e remediação de áreas contaminadas. É professor doCurso de Investigações em Geotecnia Ambiental da UNICAMP e no Programa PIA deGestão de Áreas Contaminadas da CETESB e SINDICOM. É sub relator do Grupo deTrabalho da ABNT para a elaboração das Normas Brasileiras para amostragem deáguas subterrâneas e instrutor em programas de treinamento de várias agenciasambientais estaduais.

Agradecimentos

Gostaria de agradecer a colaboração dos colegas VicenteAquino Neto da CETESB e Ero Crozeira da A1 Consultoria Ambiental pelascontribuições e revisão deste artigo.  Referências Bibliográficas

Vendas de cimento nacional sobem 14,79% em 2010 no Brasil

Publicado por Geoinform em janeiro - 9 - 2011

As vendas de cimento produzido no país para o mercado interno brasileiro no ano passado atingiram 59,121 milhões de toneladas, um crescimento de 14,79% frente às vendas de 51,501 milhões de toneladas de 2009. Com as exportações, as vendas totais somaram 59,157 milhões de toneladas em 2010, uma alta de 14,76% frente às de 51,548 milhões de toneladas do ano anterior.

As exportações caíram 22,5% em 2010, passando de 47 mil toneladas em 2009, para 36 mil toneladas no ano passado. Os dados foram divulgados hoje pelo Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).
O maior crescimento das vendas em 2010 aconteceu na região Norte, com alta de 57,9% e vendas de 3,287 milhões de toneladas, contra 2,082 milhões de toneladas em 2009. O maior volume vendido ficou com o Sudeste, com 29,632 milhões de toneladas, 13,9% a mais que as 26,013 milhões de toneladas de 2009.
Na região Nordeste, as vendas de cimento produzido no Brasil atingiram 11,213 milhões e toneladas, 13% a mais que as 9,921 milhões de toneladas de 2009, enquanto no Sul o volume subiu 10,4%, passando de 7,907 milhões de toneladas para 8,731 milhões de toneladas. No Centro-Oeste, o crescimento foi de 12,2%, passando de 5,578 milhões de toneladas em 2009, para 6,258 milhões de toneladas no ano passado.
Em dezembro, as vendas de cimento no país somaram 4,807 milhões de toneladas, 15,8% a mais do que as 4,150 milhões de toneladas em 2009. O principal destaque no último mês do ano foi o crescimento de 44,2% na região Norte, com vendas de 315 mil toneladas, contra 218 mil toneladas de dezembro de 2009.

Petrobras bate recorde de produção e venda de asfalto em 2010

Publicado por Geoinform em janeiro - 9 - 2011

No ano passado, a Petrobras produziu 2,763 milhões de toneladas de asfalto, um crescimento de 32% em relação a 2009  Fonte: Agência Brasil http://www.grandesconstrucoes.com.br/

A produção e venda de asfalto pela Petrobras registraram recorde em 2010. Em nota divulgada hoje (6), a estatal atribuiu o bom desempenho ao crescimento da demanda da liga asfáltica em função do aumento das obras de infraestrutura no país. No ano passado, a Petrobras produziu 2,763 milhões de toneladas de asfalto, um crescimento de 32% em relação a 2009 (2,097 milhões de toneladas). O mercado interno foi o que mais absorveu as vendas, que atingiram 3 milhões de toneladas, 43% a mais do que no ano anterior.
“Em 2010, foram aprovados novos contratos de compra e venda de ligantes asfálticos e também ocorreram avanços significativos nas relações comerciais com as distribuidoras. Buscou-se uma maior aproximação com os principais consumidores, no sentido de prever melhor a demanda, a fim de atender o mercado com eficiência, em alinhamento também com os distribuidores”, diz a nota.
O cimento asfáltico de petróleo e o asfalto diluído de petróleo produzidos
pela Petrobras são vendidos ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a distribuidoras. Os produtos são usados diretamente na pavimentação de rodovias ou industrializados nas fábricas das distribuidoras para a produção de emulsões asfáltica de petróleo, usadas na pavimentação a frio.

Lobão reassume Ministério das Minas e Energia

Publicado por Geoinform em janeiro - 4 - 2011

Lobão reassume o Ministério de Minas e

Energia

03/01/2011 – 17:39

O senador Edison Lobão (PMDB) reassumiu, nesta segunda feira (03/01), o Ministério de Minas e Energia.  A cerimônia de transmissão de cargo, realizada  em Brasília no auditório do ministério, reuniu autoridades do governo e parlamentares. Fizeram parte da mesa da solenidade, o vice-presidente da República, Michel Temer; o presidente do Senado, José Sarney; o presidente da Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado, Fernando Collor (PTB-AL); a governadora do Maranhão, Roseana Sarney; e o ex-ministro de Minas e Energia Márcio Zimmermann.  Também prestigiaram a posse, o diretor-geral do DNPM, Miguel Nery, e dirigentes da Autarquia.

Em seu discurso Lobão anunciou que o Brasil investirá R$ 1 trilhão na próxima década para a expansão da infraestrutura de energia e mineração. O investimento, segundo o ministro, permitirá iniciar obras, como a da usina hidrelétrica de Belo Monte, e continuidade a projetos, como o programa Luz para Todos.

“ Vou dar continuidade a projetos iniciados ainda durante a gestão de Dilma Rousseff à frente do ministério”, disse lobão referindo-se ao período (2003/2005) em que a hoje presidente da República foi ministra de Minas e Energia. Lobão disse também que o novo marco regulatório do setor mineral será prioridade durante sua gestão.  De acordo com o ministro, “a proposta que o governo pretende encaminhar ao Congresso Nacional visa reduzir a especulação improdutiva de áreas e ampliar o conhecimento das reservas minerais, além de incentivar a pesquisa mineral. Também, vamos criar novas rotas tecnológicas para minerais estratégicos para o desenvolvimento do país, como fertilizantes e lítio”, afirmou Lobão.

Márcio Zimmermann que retorna à Secretária Executiva do ministério, fez um balanço de seu trabalho  frente à pasta.  Ele disse que governo já realizou o mapeamento geológico de 20% do território nacional.  E que, em paralelo a discussão do novo marco regulatório para o setor, o MME já realiza estudos em parceria com o Ministério de Ciência e Tecnologia para buscar novas alternativas para exploração de minerais estratégicos, como terras raras e lítio. Ao final, Lobão comprometeu-se
a apoiar toadas as entidades vinculadas ao MME, incluindo o DNPM.

Setor Mineral , Assessoria de Comunicação Social

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